Caipirice aguda desfigurou a Casa do Cantador e o prédio da Administração
O jornal Correio Braziliense publicou hoje uma reportagem sobre as agressões cometidas contra prédios públicos projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A reportagem cita, entre eles, a Casa do Cantador, única obra de Niemeyer no DF localizada fora do Plano Piloto. Segundo o jornal, na Casa do Cantador “o branco foi substituído por cores. A administradora do espaço cultural, Rosália Alves Bezerra, disse que queria ‘alegrar’ o espaço, por isso colocou verde, amarelo e laranja nas paredes. Mas levou puxão de orelha do próprio Niemeyer em visita ao arquiteto realizada em maio do ano passado. ‘Ele disse que na arquitetura dele não se pode mexer em nada. Pediu que voltássemos ao branco original’.
A intervenção de Rosália pode ser considerada branda, se comparada à outra que havia no espaço quando ela assumiu a direção da Casa do Cantador. Um dos administradores anteriores fechou um vão livre com uma parede de cimento e janelas de vidro. Além disso, retirou uma porta corrediça que isolava a área de refeitório. Agora, um plano de reforma que retoma as características originais do projeto e inclui acessibilidade à Casa do Cantador tramita na Companhia Urbanizadora Nova Capital (Novacap).”
A Casa do Cantador não é o único caso em Ceilândia. Durante o desgoverno Roriz, as paredes de tijolinhos aparentes da sede da Administração Regional foram rebocadas e pintadas de azul e branco - cores associadas ao ex-governador. Também de azul e branco foi pintado o símbolo mais conhecido da cidade, a caixa d’água.
Caipirices como essas até são compreensíveis, quando cometidas em cidades do interior, onde é tradição autoridades misturarem o público e o privado sem maiores conseqüências. Mas é inaceitávl que ocorram e sejam toleradas na principal unidade da Federação.
Projeto Férias com Arte
Fim de semana agitado na área cultural da cidade: no domingo (27), na Praça do Trabalhador (ao lado da Administração) terá lugar extensa programação que começa às 10h, com a apresentação dos Irmãos Saúde; às 11h, um grupo local; às 15h, espetáculo de Vanessa Rocha (Contos do interior); às 16h, Nazareno Bonecos; às 17h, show da banda Os Maltrapilhos e Sete Pele; às 18h, apresentação da Casa de Farinha; e, às 19h, show de BNegão e os Seletores de Freqüência.
A entrada é franca.
Troféu abacaxi
A usina de idéias estapafúrdias dos políticos do DF parece que nunca pára de funcionar. O ceilandense Fabio Junio, que sempre nos honra com suas visitas e comentários pertinentes, chama a atenção para uma reportagem do jornal Tribuna do Brasil, informando que as ruas de Ceilândia tiveram seus nomes mudados da noite para o dia sem que sequer os próprios moradores tomassem conhecimento do assunto.
Uma lei de autoria do então deputado Zé Edmar, (de nº 1.876) altera o nome de 24 avenidas de Ceilândia. A tal lei choca-se com o disposto na a lei 4.052 de 10 de dezembro de 2007, que proíbe a mudança de nomes de ruas, vias, monumentos públicos, entre outros sem antes haver audiência pública.
De acordo com a lei, para as avenidas internas, seriam dados nomes de estados brasileiros. A avenida M1, por exemplo, atenderia pelo nome de Avenida Goiás. Já para as vias de ligação, como a Hélio Prates, principal via entre Ceilândia e Taguatinga, seria dado o nome de Juscelino Kubitschek. Na justificação do projeto, Zé Edmar afirma ser uma resposta a um pedido da comunidade que, através de abaixo assinado, solicitou a alteração dos nomes. Segundo ele, foram apurados em toda a Ceilândia 804 votos, dos quais 453 foram favoráveis às alterações. Os nomes dos estados justifica-se pelo fato de a população da cidade ser, em sua maioria, advinda dos estados indicados. Entre eles estão São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Alagoas.
Resta saber se 804 moradores representam os mais de 300 mil que vivem na cidade. Além disso, a lei abre uma brecha para que, no futuro, os ceilandenses tenham o desgosto de ter uma de suas vias chamada de avenida deputado Zé Edmar.
E vem aí mais uma: o GDF pretende entregar a policiais militares os becos que restaram após a distribuição feita durante o governo Cristovam Buarque. Mais uma vez as autoridades não se preocuparam em saber o que pensa a população. Muito menos em saber se ainda há policiais morando nos lotes que receberam de presente naquela época. Sabe-se que boa parte deles já caíram na ciranda da especulação imobiliária.
Lamentavelmente, parece que os ceilandenses perderão mais algumas áreas que em qualquer outra cidade civilizada os governantes tratariam de urbanizar e transformar em espaços de convivência e lazer para a comunidade. Lamentável.
Secretaria de Educação abre concurso para monitores
Foi publicado ontem ontem no Diário Oficial do DF o edital que trata do processo seletivo simplificado para o cargo de monitor. O concurso destina-se ao preenchimento 432 vagas para monitores na área de educação especial infantil e de nível fundamental em creches públicas e nos 15 pólos de educação precoce existentes no DF. Os contratos são temporários e têm a duração de até 11 meses.
Os candidatos devem ter ensino fundamental (para educação infantil) e nível médio (para a especial). O salário para o cargo varia de R$ 650 a R$ 850. O regime de trabalho é de 40 horas semanais.
As inscrições podem ser feitas dos dias 21 a 23 de fevereiro, via Correios, pela caixa postal nº 08608, ACSHS — CEP: 70.312-970. Os interessados devem enviar ficha de inscrição preenchida e assinada (disponível no edital) e cópias autenticadas de comprovantes de escolaridade (diplomas) e de experiência de trabalho.
Inversão de prioridades
Uma imagem vale por mil palavras (embora, como diz Millôr Fernandes, seja impossível expressar esta idéia sem usar palavras).
Por isso, na semana passada saí pelo Setor P-Sul para colher alguns instantâneos da realidade urbanística com a qual aquela comunidade convive diariamente. E também para mostrar como a falta de critério no atendimento dos interesses de certos grupos de pressão pode levar os administradores públicos, mesmo bem-intencionados, a inverter prioridades e cometer erros que indignam e ao mesmo tempo despertam piedade, tal o seu primarismo.
Às imagens:
Nesta mini-praça, uma demonstração do esforço da população em dar ao canteiro central da avenida P2 uma destinação nobre. Criaram ali um espaço de convivência, fazendo sozinhos e de maneira improvisada o que o governo deveria fazer seguindo padrões técnicos. Nos fins de tarde, é neste local que alguns moradores se reúnem para colocar a conversa em dia, jogar dominó ou cartas, enfim, estreitar laços comunitários. Escaparam por pouco de ver seu recanto destruído e substituído por estacionamentos.
Quando cheguei a Ceilândia, ela tinha 7 anos e eu, 13. Ainda assim, ao questionar pela primeira vez a decisão pouco inteligente de se atender à pressão de alguns comerciantes pela construção de estacionamentos ao longo das avenidas P2, P3 e P4, houve quem me escrevesse afirmando que, por estar vivendo temporariamente (por razões profissionais) fora da cidade onde tenho domicílio físico e legal, e para onde pretendo voltar daqui a algum tempo, eu não teria o direito de me manifestar sobre seus problemas. Segundo os dementes capazes de elaborar tão sofisticada teoria, os comerciantes do P Sul é que saberiam o que era melhor para a comunidade. A foto ao lado mostra o resultado de tamanha sapiência. Neste trecho da avenida P3 não sobrou uma só árvore para contar a história.
Aqui é possível ver uma das sofisticadas obras de engenharia que substituíram as árvores plantadas no canteiro central da via P2, pelos próprios moradores, 17 anos atrás. A foto não apenas mostra no que dá administrar priorizando somente os interesses de certos grupos, como também é uma prova de como não fiscalizam direito o uso do dinheito público. A má qualidade da obra é evidente. Enquanto isso, nas entrequadras há vagas de sobra para quem quiser estacionar.
No mesmo setor onde se derrubam árvores para plantar estacionamentos desnecessários, moradores têm que driblar obstáculos, andando em meio aos buracos, ao barro e à poeira. Com a chegada das chuvas, virá a lama. Quem quiser evitar quedas e luxações de tornozelo tem a opção de se arriscar a um atropelamento dividindo a pista com os automóveis.
Nas pouquíssimas vias do Setor P Sul onde há calçadas, elas, além de serem inclinadas (uma invenção tipicamente brasileira), foram invadidas sem cerimônia por alguns moradores “ixpertos”. O pedestre que se dane para conseguir se locomover por estreitas passarelas espremidas entre postes e grades.
Esta é uma entrequadra típica do Setor P Sul. Exemplo de abandono, onde imperam a ausência de urbanização, os entulhos e as invasões de área pública, com puxadões tanto horizontais quanto verticais, em prédios construídos com mais pavimentos do que o permitido pelo gabarito da área.
À esquerda, imagem de um beco da EQNP 34/36. Já que o poder público parece ter outras prioridades, moradores contam que estão em busca de doações para urbanizarem eles mesmos esta área. Antes que alguém invente de fazer média com o chapéu alheio e resolva doar o beco aos membros de alguma categoria fardada mais igual que as outras. Que depois, como sempre, lucrarão revendendo a terceiros o que receberam de mão beijada.
Para finalizar, o contraste: este beco, devidamente urbanizado, fica em Taguatinga. Embora não esteja tão bem conservado quanto deveria, ele inspira uma pergunta: por que lá é possível ter espaços assim e em nossa cidade não? Seríamos nós, ceilandenses, menos cidadãos que os outros?

